A adolescente Adrieli Camacho de Almeida é mais uma vítima fatal de homofobia. Os suspeitos são um fazendeiro, de nome Cláudio e seus dois filhos. Cláudio era pai de uma garota que seria a namorada de Adrieli. As duas se conheceram em Cassilândia, no Mato Grosso do Sul, onde Cláudio vivia com a família. O fazendeiro teria se mudado de cidade para impedir as jovens de se relacionarem. A namorada de Adriele disse à polícia que o pai a havia ameaçado de morte.
Um dos filhos do fazendeiro, que tem 13 anos de idade, confessou o crime à Polícia Militar. A jovem estava desaparecida desde 13 de março e o corpo dela foi encontrado nesta terça-feira, enterrado de cabeça para baixo na fazenda do pai da namorada no município de Itarumã, a 321 km de Goiânia. De acordo com a polícia, o outro filho do agricultor , de 16 anos, atraiu Adriele com promessas de ajudá-la a fugir com a namorada e a matou a facadas. O adolescente foi apreendido e está em internado em Aparecida do Rio Doce, em Goiás.
A ACDHRio – Associação por Cidadania e Direitos Humanos LGBT de Rio Verde/GO e Região - http://www.acdhrio.blogspot.com/ divulgou uma nota lamentando o crime, que se soma a centenas de outros em um dos períodos mais homofóbicos – e violentos – da história do país.
Leia trechos da nota:
A ACDHRio lamenta o episódio e ratifica o alerta de que no Sudoeste Goiano, uma região cuja principal atividade econômica é o agronegócio e, principalmente por esta razão, pela predominância ruralista da região, a homofobia ainda é presente com uma força fora do comum e precisa – e será pela ACDHRio – combatida e denunciada com veemência, sem covardia em nome da garantia da promoção dos direitos humanos das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) de nossa região, nosso Estado e do nosso Brasil que, em 2010, viveu o ano mais homofóbico de sua história, com o deplorável registro oficial de 260 assassinatos LGBT, segundo dados divulgados este mês pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).
A homofobia não pode continuar manchando de sangue inocente o nosso Brasil, nem seus Estados, nem seus mais de cinco mil municípios. Nossa voz de repúdio, a nossa cobrança por justiça e o nosso clamor irá continuar e se acirrar pela aprovação imediata da PLC-122/06, que irá transformar-se em lei federal que vai criminalizar a homofobia no Brasil.
O assassinato de Adrielle entrará na pauta da “Roda de Conversa” promovida pela ALEM – Associação Lésbica de Minas, neste sábado. O tema é “Lesbofobia e Homofobia na Educação.”